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Diário do Nordeste
01.09.2010
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) priorizou investimentos, até dezembro vindouro, de 9,8 bilhões nas obras de dragagem e de acessos terrestres de 12 portos, dentre os mais movimentados, permitindo-lhes operar, proximamente, com embarcações cargueiras de grande porte.
Entretanto, um diagnóstico procedido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alinhou a necessidade de ampliar as bases operacionais marítimas, diante dos estágios de defasagem dos ancoradouros nacionais, preconizando um processo de modernização mais amplo, elevando os investimentos para R$ 42,9 bilhões. A proposta do Ipea antevê bacias de evolução de até 18 metros de profundidade para atender, de modo especial, às embarcações chinesas de grande porte.
Durante décadas, o País subestimou o papel do transporte marítimo, colocando em escala secundária seu peso na logística de transportes. O mesmo fenômeno ocorreu em relação às ferrovias. A prioridade passou a ser atribuída ao transporte rodoviário, largamente beneficiado com linhas internacionais de empréstimos aos países em desenvolvimento. Os recursos alocados no PAC correspondem apenas a 23% do necessário.
Além da dragagem prioritária, alguns portos ganharão instalações para abrigar as novas estações de embarque e desembarque de passageiros. Essa infraestrutura servirá aos projetos para a dinamização dos cruzeiros marítimos, bem assim para o suporte no atendimento dos navios distribuídos pelos portos litorâneos, para atender ao déficit de hospedagem por conta da próxima Copa do Mundo. Os navios suplementariam o potencial de oferta de vagas dos hotéis por ocasião do Campeonato Mundial de Futebol.
O estudo do Ipea identifica os embaraços gerados pela falta de acessos aos portos por rodovias e ferrovias. A ausência dessa interligação vem impedindo as exportações da safra agrícola do Centro-Oeste, pelos portos de Santarém e Vila do Conde, no Pará, e Itaqui, no Maranhão. O crescimento do agronegócio no Brasil Central supera todas as expectativas, a partir da produção da soja, cuja projeção prevê incremento de 130% até 2023. Hoje, a saída se processa pelos distantes portos de Santos (SP), e de Paranaguá (PR), com elevados custos.
No transporte marítimo, a liderança mundial é da China, seguida por Cingapura, Holanda e Coreia do Sul. O porto de Santos, o maior do País, ocupa a 51ª posição. Os resultados das ampliações dos principais portos brasileiros poderão convencer os planejadores das ações setoriais da necessidade de continuar esse esforço de modernização, oferecendo à cadeia produtiva uma logística de transporte por cabotagem e de longo curto, baseada em tarifas competitivas, por conta do grande volume embarcado.
As empresas operadoras dos portos passaram por processos de modernização, esperando-se seja o transporte marítimo incluído entre as prioridades nacionais. Os investimentos iniciais do PAC sinalizam nessa direção.
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