Entrevistas

Martin Aron: "SEP precisa ser preservada após as eleições de 2010"

04/01/2010

“Nunca antes neste País os portos tiveram a atenção e a prioridade que o ministro Pedro Brito lhes imprimiu. É imprescindível que esse trabalho seja continuado e estendido ao retroporto”. Martin Aron também falou sobre as dificuldades de se trabalhar em prol do retroporto que, em sua opinião, é um segmento logístico que não faz parte da agenda dos principais governantes. “A necessidade de dotar nossos portos de uma adequada infraestrutura tem feito com que somente a zona primária seja atendida em suas reivindicações”.

O que esperar da SEP e do Ministério dos Transportes para 2010?
Martin Aron
– Esperamos que esses órgãos deem continuidade às políticas iniciadas em 2009 e nos anos anteriores. Uma das nossas preocupações prende-se à necessidade de que a Secretaria Especial de Portos seja preservada, qualquer que seja o partido vencedor das eleições presidenciais. Parafraseando o presidente Lula, “nunca antes neste País” os portos tiveram a atenção e a prioridade que o ministro Pedro Brito lhes imprimiu. É imprescindível que esse trabalho seja continuado e estendido ao retroporto.

Até que ponto o fato de haver eleições presidenciais lhe tira o sono? Há risco da economia sofrer com instabilidades?
Martin Aron
– Vou me permitir responder a essa pergunta na primeira pessoa do singular. A constatação de que a democracia em nosso País está consolidada me dá a certeza de que campanhas eleitorais, mesmo as levadas de forma mais aguerrida, não mais me tirarão o sono.  Ao contrário do que ocorre em alguns poucos países vizinhos, no Brasil as instituições democráticas estão firmes e cada vez mais fortalecidas.  Sem medo de errar, não há lugar para retrocessos nesse campo. Se a economia apresentar alguma instabilidade, seguramente não o será pela temporada eleitoral.

No que a dragagem do Porto de Santos pode mudar a rotina dos associados da ABTTC?
Martin Aron
– A dragagem de Santos permitirá que maiores e modernos navios atraquem em seus berços. A economia de escala fatalmente trará benefícios a todos os que interagem na atividade, aí incluído o retroporto. Devemos diligenciar no sentido de que esses benefícios ou reduções de custos sejam repassados a toda a cadeia logística.  O comércio exterior do Brasil agradecerá.

E em outros portos, quais as perspectivas da ABTTC? Algum problema específico chama a atenção e clama por solução?
Martin Aron
– A maioria dos portos tem os mesmos problemas e exige as mesmas soluções. A SEP agiu corretamente quando tratou o problema da dragagem de forma abrangente e uniforme a todos os portos. Uma de nossas metas, desde que assumimos a ABTTC, é a abertura de delegacias regionais, além da já existente no Rio de Janeiro.  Em alguns dos eventos de que participamos em 2009, pudemos perceber que este é um dos anseios das empresas localizadas em outros portos do Brasil. Uma entidade forte e nacionalmente atuante é um dos pontos principais de nossa agenda política.

Qual a importância de se fomentar políticas favoráveis ao setor retroportuário?
Martin Aron
– O retroporto não tem integrado a agenda política de nossos governantes, acreditamos, por razões de prioridade. A necessidade de dotar nossos portos de uma adequada infraestrutura tem feito com que somente a zona primária seja atendida em suas reivindicações. As dificuldades de acesso terrestre em quase todos os portos do País comprovam esse aspecto. Esperamos que a entrada em operação do Rodoanel em São Paulo sirva de incentivo para que as políticas de investimento governamental ou privado sejam constantes e ininterruptas.

Como driblar a alta carga tributária existente no Brasil?
Martin Aron
– Nós não devemos driblar a alta carga tributária, mas sim fiscalizar e exigir que a arrecadação seja cada vez melhor aplicada. Há décadas a reforma tributária está no programa de todos, repito, todos os partidos políticos.  E o que se vê, ao longo dos mandatos, é praticamente zero em avanço. A simplificação e a desoneração das exportações, por exemplo, fariam o nosso setor de comércio exterior aumentar sua participação no comércio mundial, hoje ao redor de 1%.

Como o senhor avalia o ano de 2009 para a ABTTC?
Martin Aron
– Pelas manifestações recebidas ao longo do ano, podemos dizer que a avaliação é positiva. A Associação participou da maioria das ações destinadas a aprimorar o desenvolvimento das atividades retroportuárias. Podemos afirmar que a ABTTC, hoje, é vista como uma entidade que tem muito a contribuir para a maior eficiência do desempenho portuário e retroportuário.

Houve avanços em algum tema específico?
Martin Aron
– Sim, como a consolidação e ampliação dos nossos softwares de controle aduaneiro. Um deles é o Sistema Interface de Monitoramento Aduaneiro, adotado por quase todos os Recintos Especiais para Despacho Aduaneiro de Exportação (Redex). Outra importante conquista, sem dúvida, é o lançamento do Selo de Qualidade ABTTC, em parceria com o Bureau Veritas. Serão contemplados os Redex, os terminais de vazios e as transportadoras de contêineres. O sistema tem a finalidade de proporcionar às empresas um padrão de qualidade específico de sua principal atividade.
 
E para 2010, quais as perspectivas?
Martin Aron
– Esperamos divulgar entre as empresas associadas e, quando for o caso, entre a comunidade retroportuária, trabalhos ligados ao aprimoramento do conhecimento técnico e administrativo de nossas empresas. Esses trabalhos estão em fase final de elaboração e poderão ser acessados pelo nosso site, inclusive.


Fonte: PortoGente – www.portogente.com.br

 

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